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A história mais intrigante sobre aguardente
de cana-de-açúcar que
percorre estradas e bares brasileiros é da cachaça Havana.
Produzida na cidade de Salinas, em Minas Gerais, Havana
é muito procurada por
apreciadores da bebida, que
tem seu preço comercializado entre R$120,00 a
R$150,00 a garrafa.
Apreciadores concluem que é pelo sabor encorpado
da Havana que se
conhece uma boa cachaça "ela que desce redondo pela garganta",
como diz João de Souza
Silva, da Cachaçaria Paulista, quando degusta uma cachaça de qualidade.
Não é, apesar de ser de boa qualidade. Talvez, pensariam, a embalagem
seja sofisticada para os padrões da bebida. No
entanto, podemos notar que é tão simples quanto às demais cachaças.
Chega a
ser uma lenda como conta Heleno Medrado,
amigo de Anísio Santiago, de 80 anos, fazendeiro que produz a Havana há
mais de 40, na Fazenda Havana Salinas, em Minas Gerais. "Anísio
dificilmente vende a mais de 40, na Fazenda Havana Salinas, em
Minas Gerais. "Anísio dificilmente vende a Havana.
Normalmente ele a troca por outros produtos e, muitas vezes, paga os
funcionários de sua fazenda com a própria Havana", conta Heleno.
Segundo ele, o funcionário se dirige a um comerciante local e vende a
cachaça.
Havana
impondo uma margem de lucro. E assim, da mesma/arma ele passa de
comerciante a distribuidor até chegar ás metrópoles brasileiras com um
preço exorbitante. "E tem mais. Se você chegar na fazenda e pedir
para comprar uma caixa de Cachaça
Havana, Anísio lhe dirá que só duas garrafas. Ele nunca tem Havana em
grandes quantidades” completa Heleno.
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CACHAÇA
HAVANA, SALVEM O MITO
Roberto
Carlos Morais Santiago (*)
Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o Sr. Anísio Santiago
começou a produzir a cachaça
Havana, em sua propriedade rural, no Município de Salinas, situado no
norte de Minas Gerais, que ao longo das últimas décadas, passou a ser
referência nacional no segmento cachaça artesanal.
De excepcional qualidade, tendo em vista que a sua produção é
artesanal e limitada, a cachaça
Havana é tida pelos especialistas como uma das melhores e mais
famosas do Brasil.
A cachaça Havana, sem dúvida alguma, contribuiu para elevar o status
quo desta bebida genuinamente brasileira que, hoje, vem tendo o seu
consumo aumentado de forma significativa. Beber cachaça, hoje, é tão
elegante quanto beber uísque, vinho, vodka ou outra bebida considerada
mais tradicional. Indubitavelmente a cachaça está para o Brasil como o uísque
está para a Escócia e a vodka está para a Rússia. São verdadeiras
bebidas nacionais.
Ao longo do tempo a cachaça
Havana tornou-se a mais elitizada das cachaças, sendo reverenciada
por personalidades como
Ronald Reagan (ex-presidente dos EUA), François Miterrand (ex-presidente
da França), Fidel Castro (atual ditador de Cuba), Hélio Garcia
(ex-Governador de Minas), dentre outras não menos importantes.
Inúmeras reportagens em TV, jornais e revistas foram feitas em
forma de reverência a esta cachaça que, sem dúvida alguma, tornou-se um
mito. Poucos produtos nacionais
conseguiram tanto respeito e admiração pelos consumidores apesar de sua
produção restrita, tendo sempre como prioridade a qualidade, apesar da
sua estrutura simples de produção.
Entretanto, recentemente, uma empresa européia, do principado de
Luxemburgo, a Havana Club Holding S/A, notificou o Sr. Anísio Santiago
proibindo-o de comercializar o seu produto com o nome Havana alegando que
é proprietária da marca.
De fato, consultando o site do Instituto de Propriedade Industrial
– INPI (www.inpi.gov.br), do
Ministério da Indústria e Comércio, há o registro da marca Havana
Club em nome desta empresa, concedido em 27/12/1994.
Porém, Em 30/06/1989, o Sr. Anísio Santiago, através de sua
empresa Indústria e Comércio de Aguardente Havana Ltda., solicitou o
registro da marca Havana, no
segmento cachaça, tendo o seu pedido considerado inviável em 26/06/1990
e arquivado em
30/01/2001, pelo INPI.
Ora, a empresa Havana Club Holding S/A, dona da marca Havana Club,
comercializa rum (bebida caribenha). Não comercializa cachaça.
Fica caracterizado, portanto, que não há concorrência entre as bebidas.
Por que, então, o INPI não concedeu o registro da marca Havana, no
segmento cachaça, para o Sr. Anísio Santiago? Qual foi a razão?
Na verdade, quem causou esta confusão toda foi o INPI, que faz o
registro de marcas pelo nome genérico de bebidas. Ora, existem inúmeros
tipos de bebidas como cachaça, rum, tequila, uísque, champanhe, cerveja,
refrigerante, suco, etc. O
INPI simplesmente aceita o registro de marca abrangendo todos os tipos de
bebidas de forma genérica.
O INPI, infelizmente, adota o princípio da generalidade. Por isso,
a marca cachaça Havana foi
substituída pelo nome cachaça Anísio Santiago. Com isso, cometeu
um grande equívoco ao deixar uma empresa que comercializa a bebida
rum proibir que uma outra empresa comercialize cachaça utilizando o nome
Havana, é no mínimo, falta de coerência.
E, mais, o Sr. Anísio Santiago requereu o registro de sua marca. Ele tem
o direito de comercializar o seu produto como o nome Havana,
tendo em vista que a comercializa desde 1943, antes mesmo da própria
existência do INPI. É uma tradição, é um direito adquirido. Se o INPI
não concedeu o registro não se sabe qual o motivo, cometeu um grande equívoco.
Diante dos fatos, infelizmente, a partir de agora, quem quiser
saborear uma das melhores
cachaças do Brasil terá que adquirir a cachaça
Anísio Santiago em substituição da cachaça
Havana.
Acredito que, ainda, há tempo para reverter o atual quadro, se as
pessoas que gostam desta autêntica bebida nacional, não admitirem
ficar sem a inigualável cachaça
Havana.
Por isso, seria importante que a mídia, as autoridade mineiras e,
sobretudo o povo de Salinas, não aceitem que a marca Havana de cachaça
deixe de existir, mesmo que, atualmente,
o produto esteja sendo comercializado com o nome do seu criador, Anísio
Santiago.
O Governo de Minas, que tem estimulado a produção de cachaça
artesanal de qualidade através do Pró-Cachaça, deveria se posicionar e
exigir que o INPI concedesse o registro da marca Cachaça
Havana ao Sr. Anísio Santiago, tendo em vista que é referência no
quesito qualidade no Estado.
O povo de Salinas, também, através dos seus representantes, bem
como os produtores de cachaça
daquele município, deveriam fazer um manifesto junto ao INPI exigindo o
registro da marca cachaça Havana,
tendo em vista que a bebida já faz parte do patrimônio do município.
Hoje, cachaça Havana e Salinas
são sinônimos. Quer queiram
ou não, a bebida é o atual
cartão de visita de Salinas juntamente com as outras marcas ali
produzidas. Não é sem razão que o município é considerado a capital
nacional da cachaça.
Em fevereiro próximo, o Sr. Anísio Santiago completará 90 anos.
Resgatar a marca cachaça Havana seria um belo presente a esse senhor, autêntico
mineiro, que conseguiu, com o seu jeito simples, criar um mito chamado cachaça
Havana.
(*)
Economista, Funcionário Público Estadual
e neto de Anísio Santiago
E-mail: rcmsantiago@bol.com.br
Montes
Claros - MG
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