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 Comercial: A Lenda da Cachaça HAVANA

Cachaça Brasileira


A história mais intrigante sobre aguardente de cana-de-açúcar que percorre estradas e bares brasileiros é da cachaça Havana.

Produzida na cidade de Salinas, em Minas Gerais, Havana é muito procurada por apreciadores da bebida, que tem seu preço comercializado entre R$120,00 a R$150,00 a garrafa.

Apreciadores concluem que é pelo sabor encorpado da Havana que se conhece uma boa cachaça "ela que desce redondo pela garganta", como diz João de Souza Silva, da Cachaçaria Paulista, quando degusta uma cachaça de qualidade. Não é, apesar de ser de boa qualidade. Talvez, pensariam, a embalagem seja sofisticada para os padrões da bebida. No entanto, podemos notar que é tão simples quanto às demais cachaças.

Chega a ser uma lenda como conta Heleno Medrado, amigo de Anísio Santiago, de 80 anos, fazendeiro que produz a Havana há mais de 40, na Fazenda Havana Salinas, em Minas Gerais. "Anísio dificilmente vende a mais de 40, na Fazenda Havana Salinas, em Minas Gerais. "Anísio dificilmente vende a Havana. Normalmente ele a troca por outros produtos e, muitas vezes, paga os funcionários de sua fazenda com a própria Havana", conta Heleno. Segundo ele, o funcionário se dirige a um comerciante local e vende a cachaça.

Havana impondo uma margem de lucro. E assim, da mesma/arma ele passa de comerciante a distribuidor até chegar ás metrópoles brasileiras com um preço exorbitante. "E tem mais. Se você chegar na fazenda e pedir para comprar uma caixa de Cachaça Havana, Anísio lhe dirá que só duas garrafas. Ele nunca tem Havana em grandes quantidades” completa Heleno.



Salinas tem um gênio. Ele usa congas recortadas nas laterais, para conforto dos calos, e veste camisas furadas pela brasa do cigarro. Com 88 anos e aparentando bem menos, avesso a entrevistas, Anísio Santiago acordou de bom humor na manhã em que contou a PLAYBOY como produz a melhor cachaça do Brasil e do mundo. A prosa fácil ajudou a desfazer a aura de esquisitice que cerca o velho mito local. De fato, Anísio coleciona excentricidades: raramente deixa alguém tocar no seu caminhão Chevrolet 47 original; nunca, nunca tira fotos; e tem um cachorro que só mostra os dentes depois das 6 horas da tarde. Por trás das rabugices surge um irresistível amante de música caipira, festa junina e futebol.

Mais interessado em falar sobre sua roça de milho, que "desenvolve igual moça, de uma hora para outra", Anísio revela o segredo da Havana entre seus causos.

"Não se pode ter usura", ensina."Deve ter paciência e capricho." Paciência para esperar que a cana java, antiga, cresça sem a ajuda de químicos e para deixar que o fermento, à base de cana tritura da e farinha de milho torrado, "faça arder" a garapa naturalmente. Capricho ao lavar as peças de cobre e na construção do alambique, meticulosamente planejado.

Paciência também não pode faltar aos interessados na Havana. Com uma ínfima produção de 5000 litros por ano, é preciso perseverança para achar garrafas de Havana.Algumas são encontradas com os empregados de Anísio, que recebem o salário em litros da cachaça. Outras, também poucas, estão em lojas especializadas, a preços de até 150 reais. Neste caso vale o alerta ao capricho. Verifique se ela não é mais uma das incontáveis falsificações da bebida produzida pelo gênio de Salinas.

Publicação da Revista Playboy em Março de 2000



AGUARDENTE HAVANA PERDEU O DIREITO AO NOME.

O nome HAVANA foi patenteado pela empresa cubana Havana Club, obrigando o "mito" das cachaças, a mudar o seu nome. Apesar do produto continuar sendo o mesmo, a cachaça HAVANA passou a se chamar Aguardente de Cana ANÍSIO SANTIAGO.
O nome da produtora que era Indústria e Comércio de Aguardentes Havana Ltda., foi mudado para Indústria e Comércio de Aguardentes MENAGO Ltda.
A Fazenda continuou com o mesmo nome, ou seja: Fazenda Havana Salinas M.Gerais.

A esquerda o novo rotulo da ANÍSIO SANTIAGO e a direita o antigo da HAVANA.


Publicação da Revista Veja em Junho/2001

CACHAÇA A PREÇO DE OURO
Uma destilaria Mineira produzia a cachaça Havana, uma das prediletas dos apreciadores da bebida. Após uma briga na justiça, o produto foi rebatizado de Anísio Santiago e continua sendo o mais caro do gênero. Veja no quadro por que essa bebida tem um valor maior que o das pingas comuns.
PINGA COMUM PREÇO DA
GARRAFA
ANÍSIO SANTIAGO
2 reais 180 reais
6 horas TEMPO DE FERMENTAÇÃO 36 horas
Nenhum TEMPO DE ENVELHECIMENTO 8 anos
Água e xarope são misturados a cana-de-açucar FÓRMULA Não Leva nenhuma substancia quimica, apenas cana-de-açucar triturada e farinha de milho torrado
240 milhões de litros PRODUÇÃO ANUAL 8.500 litros
EDITADO POR SÉRGIO RUIZ LUZ. COLABORARAM GUIDO ORGIS, JOANA CALMON, RICARDO MENDONÇA, SILVIA ROGAR E TATIANA CHIARI
34 20 de junho, 2001 veja

Carta Emitida pelo Neto do proprietario da ex-cachaça Havana.


CACHAÇA HAVANA, SALVEM O MITO

Roberto Carlos Morais Santiago (*)

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, o Sr. Anísio Santiago começou a produzir a cachaça Havana, em sua propriedade rural, no Município de Salinas, situado no norte de Minas Gerais, que ao longo das últimas décadas, passou a ser referência nacional no segmento cachaça artesanal.

De excepcional qualidade, tendo em vista que a sua produção é artesanal e limitada, a cachaça Havana é tida pelos especialistas como uma das melhores e mais famosas do Brasil.

A cachaça Havana, sem dúvida alguma, contribuiu para elevar o status quo desta bebida genuinamente brasileira que, hoje, vem tendo o seu consumo aumentado de forma significativa. Beber cachaça, hoje, é tão elegante quanto beber uísque, vinho, vodka ou outra bebida considerada mais tradicional. Indubitavelmente a cachaça está para o Brasil como o uísque está para a Escócia e a vodka está para a Rússia. São verdadeiras bebidas nacionais.

Ao longo do tempo a cachaça Havana tornou-se a mais elitizada das cachaças, sendo reverenciada por personalidades como Ronald Reagan (ex-presidente dos EUA), François Miterrand (ex-presidente da França), Fidel Castro (atual ditador de Cuba), Hélio Garcia (ex-Governador de Minas), dentre outras não menos importantes.

Inúmeras reportagens em TV, jornais e revistas foram feitas em forma de reverência a esta cachaça que, sem dúvida alguma, tornou-se um mito. Poucos produtos nacionais conseguiram tanto respeito e admiração pelos consumidores apesar de sua produção restrita, tendo sempre como prioridade a qualidade, apesar da sua estrutura simples de produção.

Entretanto, recentemente, uma empresa européia, do principado de Luxemburgo, a Havana Club Holding S/A, notificou o Sr. Anísio Santiago proibindo-o de comercializar o seu produto com o nome Havana alegando que é proprietária da marca.

De fato, consultando o site do Instituto de Propriedade Industrial – INPI (www.inpi.gov.br), do Ministério da Indústria e Comércio, há o registro da marca Havana Club em nome desta empresa, concedido em 27/12/1994.

Porém, Em 30/06/1989, o Sr. Anísio Santiago, através de sua empresa Indústria e Comércio de Aguardente Havana Ltda., solicitou o registro da marca Havana, no segmento cachaça, tendo o seu pedido considerado inviável em 26/06/1990 e arquivado em 30/01/2001, pelo INPI.

Ora, a empresa Havana Club Holding S/A, dona da marca Havana Club, comercializa rum (bebida caribenha). Não comercializa cachaça. Fica caracterizado, portanto, que não há concorrência entre as bebidas. Por que, então, o INPI não concedeu o registro da marca Havana, no segmento cachaça, para o Sr. Anísio Santiago? Qual foi a razão?

Na verdade, quem causou esta confusão toda foi o INPI, que faz o registro de marcas pelo nome genérico de bebidas. Ora, existem inúmeros tipos de bebidas como cachaça, rum, tequila, uísque, champanhe, cerveja, refrigerante, suco, etc. O INPI simplesmente aceita o registro de marca abrangendo todos os tipos de bebidas de forma genérica.

O INPI, infelizmente, adota o princípio da generalidade. Por isso, a marca cachaça Havana foi substituída pelo nome cachaça Anísio Santiago. Com isso, cometeu um grande equívoco ao deixar uma empresa que comercializa a bebida rum proibir que uma outra empresa comercialize cachaça utilizando o nome Havana, é no mínimo, falta de coerência.
E, mais, o Sr. Anísio Santiago requereu o registro de sua marca. Ele tem o direito de comercializar o seu produto como o nome Havana, tendo em vista que a comercializa desde 1943, antes mesmo da própria existência do INPI. É uma tradição, é um direito adquirido. Se o INPI não concedeu o registro não se sabe qual o motivo, cometeu um grande equívoco.

Diante dos fatos, infelizmente, a partir de agora, quem quiser saborear uma das melhores cachaças do Brasil terá que adquirir a cachaça Anísio Santiago em substituição da cachaça Havana.

Acredito que, ainda, há tempo para reverter o atual quadro, se as pessoas que gostam desta autêntica bebida nacional, não admitirem ficar sem a inigualável cachaça Havana.

Por isso, seria importante que a mídia, as autoridade mineiras e, sobretudo o povo de Salinas, não aceitem que a marca Havana de cachaça deixe de existir, mesmo que, atualmente, o produto esteja sendo comercializado com o nome do seu criador, Anísio Santiago.

O Governo de Minas, que tem estimulado a produção de cachaça artesanal de qualidade através do Pró-Cachaça, deveria se posicionar e exigir que o INPI concedesse o registro da marca Cachaça Havana ao Sr. Anísio Santiago, tendo em vista que é referência no quesito qualidade no Estado.

O povo de Salinas, também, através dos seus representantes, bem como os produtores de cachaça daquele município, deveriam fazer um manifesto junto ao INPI exigindo o registro da marca cachaça Havana, tendo em vista que a bebida já faz parte do patrimônio do município. Hoje, cachaça Havana e Salinas são sinônimos. Quer queiram ou não, a bebida é o atual cartão de visita de Salinas juntamente com as outras marcas ali produzidas. Não é sem razão que o município é considerado a capital nacional da cachaça.

Em fevereiro próximo, o Sr. Anísio Santiago completará 90 anos. Resgatar a marca cachaça Havana seria um belo presente a esse senhor, autêntico mineiro, que conseguiu, com o seu jeito simples, criar um mito chamado cachaça Havana.

(*) Economista, Funcionário Público Estadual e neto de Anísio Santiago
E-mail: rcmsantiago@bol.com.br
Montes Claros - MG

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Site : http://www.srpatente.com.br e-mail :
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Contato : Sr. Mauricio Ramos Damasceno
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